domingo, 3 de Abril de 2011

Adaptação ao meio aquatico

A adaptação ao meio aquático tem em si factores de tranquilidade e de mestria por parte de quem ensina e naturalmente por parte de quem é ensinado.
Como é um meio novo para o ser humano, existem um conjunto de situações que consciente ou inconscientemente nós temos alguma relutância em nos entregarmos e em estarmos à vontade sem receios e com descontracção. Uma delas é a respiração. Cá fora respiramos de uma maneira que com o decorrer do nosso tempo de vida é completamente automática. No meio aquático a respiração é feita de uma maneira completamente diferente. Inspiramos fora de água e expiramos dentro dela com periodicidades e cadências muito diferentes das do nosso meio natural.
A exploração do nosso corpo dentro de água também é adquirida gradualmente e com alguma resistência pelos nossos medos naturais.
Por tudo isto a adaptação em crianças deve ser feita com poucos alunos e com um ambiente de tranquilidade e segurança. Os jogos e a caleira da piscina são o principal suporte destas fases. Faz parte da adaptação os habituais “pirolitos” que as crianças e até os adultos fazem.
Não adianta queimar etapas da adaptação tentando fazer com que se aprendam as técnicas do nadar. Cada coisa a seu tempo. Primeiro a descontracção total e em seguida a propulsão ventral e dorsal quando verificamos que o corpo do aluno já não resiste ao meio e quando verificamos que a exploração do meio já não tem resistências de especial.
A cara é o local por excelência onde as emoções se tornam mais visíveis e é por aí que o Instrutor irá perceber os principais sinais de uma boa adaptação.
É fundamental perceber que quando o aluno imerge e emerge a sua cara não revela feições de olhos arrepiados, tentativas de tirar a água da cara, choros ou caras de quem não gosta nada daquilo ( água). Uma pessoa adaptada sobe e imerge com uma cara tranquila e nada tensa. A água não é obstáculo e passa a ser familiar. Isto consegue se quando a nova respiração está automatizada e quando os vários níveis de pequena profundidade na água estão adquiridos sem tensões. Nas crianças e até nos adultos os jogos de apanhar coisas no fundo ( baixo ) da piscina são o ideal para se fazer aprender estas pequenas e depois grandes imersões
É fundamental depois explicar experimentando com segurança as passagens de décubito facial e dorsalà posição de pé. Com uma puxada brusca de joelhos ao peito passa-se destas duas posições à posição de pé. Com muita experimentação e com a ajuda humana por perto isto consegue-se de uma maneira geral em três semanas com duas sessões por semana.
Se estas fases estiverem completamente adquiridas então sim faz sentido começar-se com a aquisição das propulsões e um pouco mais tarde com a aprendizagem das técnicas da natação.
Estas aquisições não são nada difíceis desde que o ambiente seja calmo e com muita atenção por parte de quem ensina podem ser adquiridas em cerca de dois meses em média com uma cadência de duas vezes por semana. É óbvio que existirão excepções em crianças ou adultos mais medrosos e que tenham mais dificuldade em se adaptar, mas em média será de dois meses.
Da parte de quem ensina e de uma maneira às vezes insconsciente e outras por falta de capacidade técnica e de observação, queimam se etapas e assim comprometem-se as aprendizagens futuras. Um corpo não adaptado na totalidade vai estar parcialmente tenso e tem enormes dificuldades em apreender as técnicas e quando as aprende revela sempre tensões corporais desnecessárias. Saber nadar é antes de tudo saber estar em completa à vontade na água

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